quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pontos de Oxóssi



- Oxossi é rei no céu / Oxossi é rei na terra 2X
- Ele não desce do céu sem coroa / Sem a sua muganga de guerra 2X


- Atira, atira, eu atirei / Umbanda vou atirar 2X
- Oxossi na mata é caçador.
- Veado na mata é corredor 2X
- Oxossi na mata é caçador.

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Quem manda na mata é Oxossi / Oxossi é caçador 2X
Eu vi meu Pai assoviar / Ele mandou me chamar
É de aruanda auê / É de aruanda auá
Meu Pai Oxossi é de aruanda / Caboclo vem trabalhar

Dentro da mata virgem
Uma linda cabocla eu vi
Com seu saiote
Feito de penas
É a Jurema filha de Tupi
Com seu saiote
Feito de penas
É a Jurema filha de Tupi
Jurema. Jurema , Jurema
Linda cabocla, filha de Tupi
Ela vem, lá da Juremá
Vem firmar seu ponto
Nesse congar
Ela vem, lá da Juremá
Vem firmar seu ponto
Nesse congar

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Caboclinha da Jurema
Onde é que você vai ?
Vou pra casa de Odé, no terreiro de meu Pai
De Aruanda êee
De Aruanda aah
De Aruanda êee caboclinha de pemba
De Aruanda aah

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Caboclo roxo
Da pele morena
É Seu Oxóssi
Caçador lá da Jurema
Ele jurou e tornou a jurar
E ouviu os conselhos
Que a Jurema vai lhe dar

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Quem manda na mata é Oxóssi
Oxóssi é caçador
Oxóssi é caçador
Eu vi meu pai assobiar
Eu já mandei chamar
Eu vi meu pai assobiar
Eu já mandei chamar
É de Aruanda êeee
É de Aruanda aaaa
Seu Junco Verde é Aruanda
É de Aruanda aaaa

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Não chores não caboclinho
Pra que chorar
A casa é sua caboclinho
Prá trabalhar
Oi olhe agora
E venha receber
Ogum de Ronda
Meu Pai Baluaê

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Curimbembê, Curimbembá
Sete Flechas um grande orixá
Com sete dias de nascido
A Jurema o encontrou
Deitado na folha seca
O caboclo ela criou
Curimbembê, Curimbembá
Sete Flechas um grande orixá
Nasceu na mata de Oxóssi
Na aldeia de Juremá
O caboclo Sete Flechas
Iluminado por Oxalá

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Oxóssi êeee
Oxóssi aaaaa
Oxóssi é marambolê, marambolá
Quem é aquele que vem lá de Aruanda
Montado em seu cavalo
Com seu chapéu de banda
Ele é Oxóssi de Aruanda eeeeee
Ele é Oxóssi de Aruanda aaaaa

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Caboclo venceu demanda
Para o povo de Umbanda
Na ponta da sua flecha
Quando veio de Aruanda
Venceu...
Caboclo venceu...
No fundo da mata virgem
Oxalá gritou
- Esse filho é meu !!!
Esse filho é meu !!!

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Onde está a Jurema?
A Jurema a onde está ?
Tá procurando os capangueiros
Que ainda estão na Juremá
Quem mandou chamar
Em nome do Pai Oxalá?
Foi seu Oxóssi caçador
Que já baixou nesse congar
Salve todo o povo da Jurema
Salve sua luz
Seu jacutá
Levando a todos lares e seus filhos
Trazendo paz e amor
Na fé de Oxalá

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Oxalá chamou !
Oxalá chamou e já mandou buscar
Os caboclos da Jurema
Pro seu Juremá
Pai Oxalá
É o rei do mundo inteiro
Já deu ordens pra Jurema
Chamar seus capangueiros
Mandai, Mandai
Minha cabocla Jurema
Os seus guerreiros
Essa é a ordem suprema !!

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Ogan segura o toque
Com Deus e a Virgem Maria
Ogan segura o toque
Com Deus e a Virgem Maria
Por Oxalá Meu Pai
Saravá Seu Ventania
Por Oxalá Meu Pai
Saravá Seu Ventania

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Um grito na mata ecoou
Foi seu pena branca que chegou
Com sua flecha
Com seu cocar
Seu Pena Branca vem nos ajudar
Com sua flecha
Com seu cocar
Seu Pena Branca vem nos ajudar
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Saravá seu Pena Branca
Saravá seu apache
Pega flecha e seu bodoque
Pra defender filhos de fé
Ele vem de Aruanda
Trabalhar neste casuá
Saravá Seu Pena Branca
No terreiro de Oxalá
Sua flecha vai certeira
Vai pegar no feiticeiro
Que fez juras e mandingas
Para o filho do terreiro
Pega o arco , atira a flecha
Que esse bicho é caçador
Além de ser castigo
Ele é merecedor

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Ele atirou
Ele atirou e ninguém viu
Só seu Flecheiro é que sabe
A onde a flecha caiu
Ele atirou!


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Tupinambá é canga na batalha
Tupinambá ee Tupinambá
Tupinambá guerreiro de Oxóssi
Tupinambá ee Tupinambá
Tupinambá vem defender seus filhos
Tupinambá ee Tupinambá
Só não apanha
Folha da Jurema
Sem ordem suprema
Do Pai Oxalá
Só não apanha
Folha da Jurema
Sem ordem suprema
Do Pai Oxalá
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Tava na beira do rio
Sem poder atravessar
eu chamei pelos caboclos
Caboclo Tupinambá
eu chamei pelos caboclos
Caboclo Tupinambá
Tupinambá chamei
Chamei tornei chamar eaahhh
Tupinambá chamei
Chamei tornei chamar eaahhh
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Ele é caboclo ele é
Flexeiro
tumba la catunga
e matador
de feiticeiro
tumba la catunga
ele vai firma seu ponto
ele já firmo é na Angola
oi tumba la catunga

quinta-feira, 3 de julho de 2008

OXÓSSI

Durante a diáspora negra, muitos escravos que cultuavam Oxóssi não sobreviveram aos rigores do tráfico negreiro e do cativeiro, mas, ainda assim, o culto foi preservado no Brasil e em Cuba pelos sacerdotes sobreviventes e Oxóssi se transformou, no Brasil, num dos orixás mais populares, tanto no candomblé, onde se tornou o rei da nação Ketu, quanto na umbanda, onde é patrono da linha dos caboclos, uma das mais ativas da religião.

Seu habitat é a floresta, sendo simbolizado pela cor verde, na umbanda e recebendo a cor azul clara no candomblé, mas podendo usar, também, a cor prateada nesse último. Sendo assim, roupas, guias e contas costumam ser confeccionadas nessas cores, incluindo, entre as guias e contas, no caso de Oxóssi e, também, seus caboclos, elementos que recordem a floresta, tais como penas e sementes.

Seus instrumentos de culto são o ofá (arco e flecha), lanças, facas e demais objetos de caça. É um caçador tão habilidoso que costuma ser homenageado com o epíteto "o caçador de uma flecha só", pois atinge o seu alvo no primeiro e único disparo tamanha a precisão. Conta a lenda que um pássaro maligno ameaçava a aldeia e Oxossi era caçador, como outros. Ele só tinha uma flecha para matar o pássaro e não podia errar. Todos os outros já haviam errado o alvo. Ele não errou, e salvou a aldeia. Daí o epíteto "o caçador de uma flecha só".

Come tudo quanto é caça e o dia a ele consagrado é quinta-feira.

No Brasil, Ibualama, Inlè ou Erinlè é uma qualidade de Oxóssi, marido de Oxum Ipondá e pai de Logunedé. Como os demais Oxóssis é caçador, rei de Ketu e usa ofá (arco e flecha), mas se veste de couro, com chapéu e chicote.

Um Oxóssi azul, Otin, usa capanga e lança. Vive no mato a caçar. Come toda espécie de caça, mas gosta muito de búfalo.

A curiosidade e a observação são características das pessoas consideradas filhas de Oxóssi, orixá também da alegria, da expansão, que gosta de agir à noite, como os caçadores. São faladores, ágeis e de raciocínio muito rápido.

Oxóssi é o arquétipo daquele que busca ultrapassar seus limites, expandir seu campo de ação, enquanto a caça é uma metáfora para o conhecimento, a expansão maior da vida. Ao atingir o conhecimento, Oxóssi acerta o seu alvo. Por este motivo, é um dos Orixás ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte. Nas antigas tribos africanas, cabia ao caçador, que era quem penetrava o mundo "de fora", a mata, trazer tanto a caça quanto as folhas medicinais. Além, eram os caçadores que localizavam os locais para onde a tribo poderia futuramente mudar-se, ou fazer uma roça. Assim, o orixá da caça extensivamente é responsável pela transmissão de conhecimento, pelas descobertas. O caçador descobre o novo local, mas são os outros membros da tribo que instalam a tribo neste mesmo novo local. Assim, Oxóssi representa a busca pelo conhecimento puro: a ciência, a filosofia. Enquanto cabe a Ogum a transformação deste conhecimento em técnica.

Apesar de ser possível fazer preces e oferendas a Oxóssi para os mais diversas facetas da vida, pelas características de expansão e fartura desse orixá, os fiéis costumam solicitar o seu auxílio para solucionar problemas no trabalho e desemprego. Afinal, a busca pelo pão-de-cada dia, a alimentação da tribo costumeiramente cabe aos caçadores.

Por suas ligações com a floresta, pede-se a cura para determinadas doenças e, por seu perfil guerreiro, proteção espiritual e material.


LENDA DE OXÓSSE


Orixá da Caça e da Fartura !!!


Em tempos distantes, Odùdùwa, Rei de Ifé, diante do seu Palácio Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura.

De repente, um grande pássaro, (èlèye), pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando fardas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem oferecido uma parte da colheita as feiticeiras Ìyamì Òsóróngà. Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes. O Rei então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas.

Chamou desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro. Ainda foi, convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarrão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu. Por fim, todos já sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha.

Sua mãe Iemanjá, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda, uma vez que três dos melhores caçadores falharam em suas tentativas. Iemanjá foi consultar Ifá para Òsotokànsosó. Os Babalaôs disseram para Iemanjá preparar oferendas com ekùjébú (grão muito duro), também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas) , èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira), seis kauris (búzios). Iemanjá fez então assim, pediram ainda que, oferecesse colocando sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção e que oferecesse em uma estrada, e durante a oferenda recitasse o seguinte: "Que o peito da ave receba esta oferenda".

Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abriu sua guarda recebendo a oferenda ofertada por Iemanjá, recebendo também a flecha certeira e mortal de Òsotokànsosó. Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: "Oxósse! Oxósse!" (caçador do povo). A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje. Oxósse.

PONTOS DA MAMÃE OXUM


O viva Oxum

Iansã e Nanã

Mamãe Sereia

Viemos saudar

Oi me leva

Pras ondas grandes

Eu quero ver as sereias cantar

Eu quero ver os caboclinhos na areia

Oi como brincam com Iemanjá

Aruê, ê, ê, êeee

Aruê Mamãe é dona do mar

Aruê, ê, ê, êeee

Aruê Mamãe é dona do mar
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Eu vi a mamãe Oxum

Sentada, chorando, na cachoeira

Pedindo à Ogum para jurar bandeira

Vamos saravá mamãe Oxum e Yemanjá

Ogum jurou bandeira, na ordem de Oxalá!
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Eu vi a mamãe Oxum

Sentada na cachoeira

Colhendo os lírios, lírios ê

Colhendo os lírios, lírios Ah

Colhendo lírios pra enfeitar nosso conga

Colhendo os lírios, lírios ê

Colhendo os lírios, lírios Ah

Colhendo lírios pra enfeitar nosso conga

segunda-feira, 23 de junho de 2008

OXUM

Conta-nos uma lenda, que Oxum queria muito aprender os segredos e mistérios da arte da adivinhação, para tanto, foi procurar Exú. Exú, muito matreiro, falou à Oxum que lhe ensinaria os segredos da adivinhação, mas para tanto, ficaria Oxum sobre os domínios de Exú durante sete anos, passando, lavando e arrumando a casa do mesmo, em troca ele a ensinaria.

E, assim foi feito, durante sete anos Oxum foi aprendendo a arte da adivinhação que Exú lhe ensinará e consequentemente, cumprindo seu acordo de ajudar nos afazeres domésticos na casa de Exú. Findando os sete anos, Oxum e Exú, tinham se apegado bastante pela convivência em comum, e Oxum resolveu ficar em companhia desse Orixá. Em um belo dia, Xangô que passava pelas propriedades de Exú, avistou aquela linda donzela que penteava seus lindos cabelos a margem de um rio e de pronto agrado, foi declarar sua grande admiração para com Oxum.

Foi-se a tal ponto que Xangô, viu-se completamente apaixonado por aquela linda mulher, e perguntou se não gostaria de morar em sua companhia em seu lindo castelo na cidade de Oyó. Oxum rejeitou o convite, pois lhe fazia muito bem a companhia de Exú. Xangô então irritado e contrariado, seqüestrou Oxum e levou-a em sua companhia, aprisionando-a na masmorra de seu castelo. Exú, logo de imediato sentiu a falta de sua companheira e saiu a procurar, por todas as regiões, pelos quatro cantos do mundo sua doce pupila de anos de convivência. Chegando nas terras de Xangô, Exú foi surpreendido por um canto triste e melancólico que vinha da direção do palácio do Rei de Oyó, da mais alta torre. Lá estava Oxum, triste e a chorar por sua prisão e permanência na cidade do Rei.

Exú, esperto e matreiro, procurou a ajuda de Òrùnmílá, que de pronto agrado lhe cedeu uma poção de transformação para Oxum desvencilhar-se dos domínios de Xangô. Exú, através da magia pode fazer chegar as mãos de sua companheira a tal poção. Oxum tomou de um só gole a poção mágica e transformou-se em uma linda pomba dourada, que voou e pode então retornar em companhia de Exú para sua morada.

Logo que todos os Orixás chegaram à terra, organizavam reuniões das quais mulheres não podiam participar. Oxum, revoltada por não poder participar das reuniões e das deliberações, resolve mostrar seu poder e sua importância tornando estéreis todas as mulheres, secando as fontes, tornando assim a terra improdutiva.

Olodumaré foi procurado pelos Orixás que lhe explicaram que tudo ia mal na terra, apesar de tudo que faziam e deliberavam nas reuniões. Olodumaré perguntou a eles se Oxum participava das reuniões, foi quando os Orixás lhe disseram que não. Explicou-lhes então, que sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nada iria dar certo. Os Orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos e reuniões, e depois de muita insistência, Oxum resolve aceitar. Imediatamente as mulheres tornaram-se fecundas e todos os empreendimentos e projetos obtiveram resultados positivos. Oxum é chamada Iyalodê (Iyáláòde), título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre as mulheres da cidade.

OXUM - Nome de um rio na Nigéria, em Ijexá e Ijebú. Segunda mulher de Xangô, deusa do ouro, riqueza e do amor. A Oxum pertence o ventre da mulher e ao mesmo tempo controla a fecundidade, por isso as crianças lhe pertencem. Dona dos rios e cachoeiras gosta de usar colares, jóias, tudo relacionado à vaidade, perfumes, etc.

O ARQUÉTIPO DE OXUM - As pessoas de Oxum são vaidosas, elegantes, sensuais, adoram perfumes, jóias caras, roupas bonitas, tudo que se relaciona com a beleza. Gostam de chamar a atenção do sexo oposto. São boas donas de casa e companheiras, despertam ciúmes nas mulheres e se envolvem em intrigas. Oxum é destemida diante das dificuldades enfrentadas pelos seus. Ela usa sua sensualidade para salvar sua comunidade da morte. Dança com seus lenços e o mel, seduzindo Ogum até que ele volte a produzir os instrumentos para a agricultura. Assim a cidade fica livre da fome e miséria. Oxum enfrenta o perigo quando Olodumare, Deus supremo, ofendido pela rebeldia dos orixás, prende a chuva no orum (Céu), deixando que a seca e a fome se abatam sobre o aiê (a Terra). Transformada em pavão, Oxum voa até o deus maior, para suplicar ajuda. Mesmo tornando-se abutre pelo calor do sol, que queima-lhe, enegrecendo as penas, ela alcança a casa de Olodumare. Indignada por se perceber excluída da reunião de orixás masculinos, Oxum torna estéreis todas as mulheres até que ela seja convidada para o encontro. Uma demonstração de que com ela é assim: bateu, levou. Não tolera o que considera injusto e adora uma pirraça. Da beleza à destreza, da fragilidade à força, com toque feminino de bondade, é assim o jeito dessa deusa-heroína. Sensível à condição de fraqueza, Oxum se dispõe a aliviar o sofrimento alheio. Assim ela o faz quando Oxalá tem seu cajado jogado ao mar e a perna ferida por Iansã.

Oxum vem para ajudar o velho, curando-o e recuperando seu pertence. Ela é adorada por Oxalá. A deusa do amor parte com um ebó até Olodumare, para que não haja mais seca na Terra. No caminho ela não hesita em repartir os ingredientes da oferenda com o velho Obatalá e as crianças que encontra, e mesmo assim alcança seu objetivo pela comoção de Olodumare. Com grande compaixão, Oxum intercede junto a Olodumare para que ele ressuscite Obaluaiê, em troca do doce mel da bela orixá. E ela garante a vida alheia também ao acolher a princesa Ala, grávida, jogada ao rio por seu pai. Oxum cuida da recém-nascida, a querida Oiá.Com suas jóias, espelhos e roupas finas, Oxum satisfaz seu gosto pelo luxo. Ambiciosa, ela é capaz de geniais estratagemas para conseguir êxito na vida. Vai à frente da casa de Oxalá e lá começa a fazer escândalo, caluniando-o aos berros, até receber dele a fortuna desejada para então calar-se. E assim Oxum torna-se "senhora de tanta riqueza como nenhuma outra Yabá (Orixá femino) jamais o fora".A vontade de conhecer os segredos do destino faz com que Oxum, esperta que é, coloque seu poder de atração sexual em acordos para esse fim. Ela é especialista no toma-lá-dá-cá. É desse modo que aprende a arte da adivinhação com Exu, e as roupas de Obatalá, e as vestes do "Senhor do Pano Branco" pelo segredo do Ifá. Assim Oxum se torna senhora do jogo de búzios. Beleza, agilidade e astúcia são ingredientes do sucesso deste orixá.

No amor Oxum é ardorosa, de tão formosa e quente que é. Oxum luta para conquistar o amor de Xangô e quando o consegue é capaz de gastar toda sua riqueza para manter seu amado. Ela livra seu querido Oxósse do perigo e entrega-lhe riqueza e poder para que se torne Alaketu, o rei da cidade de Ketu. Oxum provoca disputa acirrada entre dois irmãos por seu amor: Xangô e Ogum, ambos guerreiros famosos e poderosos, o tipo preferido por ela. Xangô é seu marido, mas independente disso, se um dos dois irmãos não a trata bem, o outro se sente no direito de intervir e conquistá-la. Afinal Oxum quer ser amada e todos sabem que ela deve ser tratada como uma rainha, ou seja, com roupas finas, jóias e boa comida, tudo a seu gosto. A beleza é o maior trunfo do orixá do amor. Como esposa de Xangô, ao lado de Obá e Oiá, Oxum é a preferida e está sempre atenta para manter-se a mais amada. Ela adora enganar Obá. Oxum induz Obá a cortar a própria orelha para cozinhar e servir para Xangô, dizendo ser o prato preferido do marido, que na verdade fica enojado e enfurecido. Ela também engana Eleguá que, a serviço de Obá para fazer um sacrifício, corta erradamente o rabo do cavalo de Xangô. Outra vez Obá queria agradar seu marido, mas acaba odiada por ele. Oxum definitivamente quer o fracasso de quem considera rival.

Foi de Oxum a delicada missão dada por Olodumare de religar o orum (o céu) ao aiê (a terra) quando da separação destes pela displicência dos homens. Tamanho foi o aborrecimento dos orixás em não poder mais conviver com os humanos que Oxum veio ao aiê (a terra) prepará-los para receber os deuses em seus corpos. Juntou as mulheres, banhou-as com ervas, raspou e adornou suas cabeças com pena de ecodidé (pena de um passáro sabrado), enfeitou seus colos com fios de contas coloridas, seus pulsos com idés (pulseiras), enfim as fez belas e prontas para receberem os orixás. E eles vieram. Dançaram e dançaram ao som dos atabaques e xequerês. Para alegria dos orixás e dos humanos estava inventado o Candomblé. Os mitos da Oxum mostram o quão múltipla é sua personalidade. (Prandi, 1997).

Fonte - http://guardioesdaluz.sites.uol.com.br

terça-feira, 13 de maio de 2008

Yemanjá

Yemanjá é o Trono feminino da Geração e seu campo preferencial de atuação é no amparo à maternidade. O fato é que o Trono Essencial da Geração assentado na Coroa Divina projeta-se e faz surgir, na Umbanda, a linha da Geração, em cujo pólo magnético positivo está assentada a Orixá Natural Yemanjá, e em cujo pólo magnético negativo está assentado o Orixá Omulu.

Yemanjá, a nossa amada Mãe da Vida é a água que vivifica e o nosso amado pai Omulu é a terra que amolda os viventes. Yemanjá rege sobre a geração e simboliza a maternidade, o amparo materno, a mãe propriamente. Ela se projeta e faz surgir sete pólos magnéticos ocupados por sete Yemanjás intermediárias, que são as regentes dos níveis vibratórios positivos e são as aplicadoras de seus aspectos, todos positivos, pois Yemanjá não possui aspectos negativos.

Estas sete Yemanjás são intermediárias e comandam incontáveis linhas de trabalho dentro da Umbanda. Suas Orixás intermediadoras estão espalhadas por todos os níveis vibratórios positivos, onde atuam como mães da "criação", sempre estimulando nos seres os sentimentos maternais ou paternais. Todas atuam a nível multidimensional e projetam-se também para a dimensão humana, onde têm muitas de suas filhas estagiando. Todas têm suas hierarquias de Orixás Yemanjás intermediadoras, que regem hierarquias de espíritos religados às hierarquias naturais.

Encontrei na Internet um texto de Wagner Borges, que condiz com a beleza espiritual de Yemanjá e, portanto, o reproduzo aqui para que vocês avaliem por si mesmos:

"EU SOU a energia de todas as mulheres.
EU SOU a fragrância que inspira os corações femininos na jornada pela existência.
EU SOU a guardiã dos mistérios da fertilidade e do amor.
EU SOU a protetora espiritual dos que são fiéis aos votos espirituais de fazer o bem e de seguir conscientemente na seara da Espiritualidade.
EU SOU Aquela que dissolve os malefícios com o poder das águas primordiais.
EU SOU aquela que inspira as danças sagradas de todas as mulheres.
EU SOU aquela que acalenta o coração feminino.
EU ESTOU no leite de seus seios e na boca de seus filhos.
EU ESTOU abraçada com seus parceiros.
EU SOU todas as mulheres, seus desejos, seus sentimentos, suas dores e seus sonhos.
EU SOU terna, dinâmica, ativa, passiva, empreendedora, romântica, sábia, trabalhadora, mãe, amiga, esposa, amante... Mulher total e incondicional!

Personifico as mulheres sagradas de todos os templos e povos.

Aqui no Brasil gosto de manifestar-me como Yemanjá, a Mãe das águas. Preste atenção na sonoridade desse nome, pois trata-se de um mantra originado nos povos antigos do Oriente. Yemanjá significa espiritualmente o poder de dissolução das emoções pegajosas. Significa o fluir das águas da felicidade que dissolvem as dores causadas pelas emoções pesadas.

Yemanjá também é dança, alegria e sorrisos. É celebração de vida, é abraço de Mãe, é ternura de mulher, é perfume de bem-aventurança, é inspiração espiritual nos trabalhos de desobsessão e de pulverização das energias pesadas.

Yemanjá, a Rainha do mar, que não gosta de ver as pessoas tristes por causa das emoções daninhas. A Senhora das águas, que orienta a todos para que sejam felizes e celebrem a vida.

Diga a todos que não vale a pena ser infeliz por causa de amores que se vão, pois enquanto permanecer a tristeza, não haverá celebração. E a vida é sagrada! Precisa ser celebrada! E a vida é maior do qualquer um que partir.

Pense no fluir das águas... na dança... no sorriso... na luz de Yemanjá!"

Pontos Cantados - OBÁ


Salve nossa mãe Obá

Akiro Obá iê


Gira no terreiro oh minha mãe Obá

Protege os seus filhos, pra gira concentrar

Firma o seu reino aqui no meu congá

Nos dá sabedoria, vem iluminar

Com as forças da terra eu vou trabalhar,

Me envolve em sua luz oh minha mãe Obá .........2x


____________________________________


Clareia Obá iê, clareia Obá iê

Oh mãe da sabedoria, venha nos valer ............2x

Você trouxe elementos, gerou nova energia

Criou o conhecimento, é mãe da sabedoria


Clareia Obá iê, clareia obá iê

Oh mãe da sabedoria venha nos valer ..........2x

Ela é quem reveste a serra, ela é quem sustenata o mar

É a rainha da terra que se expande pelo ar ..........2x


____________________________________


Ela traz conhecimento, vem me iluminar

Clareia meu pensamento, Oh minha mãe Obá

Ela é nossa verdade, vem me sustentar com sua sabedoria

Oh minha mãe Obá

Irradia o tempo todo, sabe ensinar

Dona do conhecimento

Oh minha mãe Obá ........2x


____________________________________


Olha aquele passarinho, contruiu seu ninho lá no reino de Obá

Com sua mãe, com muito carinho

Concentrando a terra contriu seu lar

Hoje ele é mestre do conhecimento, com sabedoria pode me ensinar

Pra que eu também construa o meu ninho nas terras sagradas de mamãe Obá ..........2x


_____________________________________


As letras falam por si só, um Orixá maravilhosos que nos ajuda a seguir o caminho da luz, sem permitir vaciladas, através do conhecimento.


Salve as forças sagradas de mãe Obá

Akiro Obá iê

terça-feira, 6 de maio de 2008

OBÁ


Obá é a orixá que aquieta e densifica o racional dos seres, já que seu campo preferencial de atuação é o esgotamento dos conhecimentos desvirtuados. Comentar sobre nossa amada mãe Obá é motivo de satisfação, pois, nas lendas, resumem sua existência ao papel de esposa repudiada por Xangô. Mas, justiça lhe seja feita, as lendas vêm sendo repetidas a tanto tempo, e às vezes de forma tão empobrecida pelas transmissões orais que, até como lendas, deixam a desejar e mostram como é deficiente o conhecimento sobre o campo de ação dos orixás.


Saibam que a orixá Obá que nós conhecemos e aprendemos a amar e reverenciar é uma divindade regida pelos elementos terra e vegetal, e forma com Oxóssi a terceira linha de Umbanda Sagrada, que rege o Conhecimento. Oxóssi está assentado no pólo positivo e irradiante desta linha e Obá está assentada em seu pólo negativo ou cósmico, que é absorvente.


Esta lenda, na verdade, refere-se a um rei que, como herdeiro das qualidades de Xangô, tinha várias esposas, que também se apresentavam como herdeiras das qualidades das orixás femininas. E, se o que esta lenda conta é verdade, no entanto só se refere a personagens humanos que eram tidos na conta de semideuses. Mas é só, porque esta história de orixá disputar pelejas tipicamente humanas e carnais, está mais para coisas humanas de que mistérios divinos. E, não tenham dúvidas de que os orixás são mistérios divinos que foram, em muitos casos, descaracterizados pelas próprias lendas, que visam eternizá-los na mente e nos corações humanos.


Saibam que Obá é uma orixá cósmica cujo elemento original é a terra, pois ela é orixá telúrica por excelência e atua nos seres através do terceiro sentido da vida, que é o Conhecimento, que desenvolve o raciocínio e a capacidade de assimilação mental da realidade visível, ou somente perceptível, que influencia nossa vida e evolução continua. Já o seu segundo elemento é o vegetal. Enquanto o orixá Oxóssi, o mitológico caçador, estimula a busca do conhecimento (evolução), Obá atrai e paralisa o ser que está se desvirtuando justamente porque assimilou de forma viciada os conhecimentos puros.


O culto à orixá Obá iniciou-se a quatro milênios atrás com a irradiação simultânea de uma de suas qualidades ou aspectos, a várias partes do mundo, quando, então, ela se humanizou.E se nossa amada mãe Obá já recolheu boa parte de seus filhos encantados que se espiritualizaram, muitos ainda estão evoluindo nos dois lados da dimensão humana.


Muitos dos seus filhos são, hoje e na Umbanda, alguns dos mais silenciosos exus e das mais discretas pomba-giras, dos mais aguerridos caboclos e caboclas, resolutos nas suas ações, precisos nos seus conselhos, e não são de muita conversa quando sentem que o conhecimento que trazem não é assimilado por seus médiuns ou pelas pessoas que os consultam.


Agora, deixando os aspectos individuais ou comentários de apoio, o fato é que nossa amada mãe Obá é uma divindade planetária, regente do pólo negativo da linha do Conhecimento, que é a terceira linha de forças de Umbanda Sagrada. Ela e Oxóssi formam esta linha e atuam em pólos opostos: enquanto ele estimula a busca do conhecimento, ela paralisa os seres que se desvirtuaram justamente porque adquiriram conhecimentos viciados, distorcidos ou falsos. O campo onde Obá mais atua é o religioso. Como divindade cósmica responsável por paralisar os excessos cometidos pelas pessoas que dominam o conhecimento religioso, uma de suas funções é paralisar os conhecimentos viciados e aquietar os seres antes que cometam erros irreparáveis.


O ser que está sendo atuado por Obá começa a desinteressar-se pelo assunto que tanto o atraia e torna-se meio apático, alguns até perdendo sua desvirtuada capacidade de raciocinar. Então, quando o ser já foi paralisado e teve seu emocional descarregado dos conceitos falsos, ai ela o conduz ao campo de ação de Oxóssi, que começará a atuar no sentido de redirecioná-lo na linha reta do conhecimento. É certo que esta atuação que descrevemos é a que Obá realiza através do seu aspecto positivo ou luminoso, por onde fluem suas qualidades, atributos e atribuições positivas. Mas como todo orixá cósmico, ela também possui seus aspectos negativos, que ativa sempre que é preciso acelerar a paralisação de um ser que, com seus conhecimentos, está prejudicando muitas pessoas e atrapalhando suas evoluções pois está induzindo-as a seguirem em uma direção contrária à que a Lei Maior reservou-lhes.


Saibam que todas as doutrinas religiosas rígidas e rigorosas com seus adeptos têm a sustentá-las a silenciosa atuação de nossa amada mãe Obá. Vasto é o campo de atuação de nossa amada mãe Obá e aqui não dá para mostrá-lo todo. Mas acreditamos que os filhos de Umbanda já entenderam onde e quando ela atua. E, porque ela atua de forma silenciosa e vai paralisando os seres que dão mau uso ao dom do raciocino e aos conhecimentos adquiridos, e atua preferencialmente no campo religioso, então está na hora de resgatar os aspectos luminosos dessa amada mãe cósmica e lançar no lixo religioso a lenda que denigre sua imagem humana, pois foi por amor a nós, espíritos humanos, que ela se humanizou e ajudou a acelerar nossa evolução. Que fiquem propagando sua falsa humanização os que um dia haverão de conhecer as verdades sobre Obá, mas nos domínios de seus aspectos negativos.


quinta-feira, 24 de abril de 2008

Pontos Cantados - Iansã

- Oh! Minha Santa Bárbara, dos cabelos longos.................................................................... 2X
- Mas ela vem girando, girando na calunga / Com pedras de ouro.......................................... 2X
- Ventou, mas que ventania.................................................................................................... 2X
- Iansã é nossa mãe / Iansã é nossa guia................................................................................. 2X
- Oh! Iansã tem um leque que venta / Para se abanar em dias de calor.................................... 2X
- Oh! Iansã, mora nas pedreiras / Eu quero ver, meu pai Xangô............................................. 2X

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- Oh! Iansã é uma moça bonita / Mas ela é dona do seu jacutá............................................... 2X
- Oh! Eparrê, oh! Eparrê, oh! Eparrê / Se ela vem de aruanda / Segura o terreiro
que eu quero ver / Eu quero ver............................................................................................. 2X

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- Eram duas ventarolas, eram duas ventarolas / Na beira do mar............................................ 2X
- Uma era Iansã, Oh! Eparrê / A outra era Iemanjá, Iodociaba............................................... 2X



Iansã - É a divindade dos ventos e das tempestades. É a terceira esposa de Xangô. Guerreira e Valente. Suas cores são o vermelho eo branco. Ora se apresenta com uma velha ora como uma jovem. Sua festa é dia 4 de dezembro. Seu dia é sexta feira. Corresponde a Santa Bárbara.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Iansã


lansã é a aplicadora da Lei na vida dos seres emocionados pelos vícios. Seus campo preferencial de atuação é o emocional dos seres: ela os esgota e os redireciona, abrindo-lhes novos campos por onde evoluirão de forma menos "emocional".


Como dissemos antes, lansã, em seu primeiro elemento, é ar e forma com Ogum um par energético onde ele rege o pólo positivo e é passivo pois suas irradiações magnéticas são retas. lansã é negativa e ativa, e suas irradiações magnéticas são circulares ou espiraladas.


Observem que lansã se irradia de formas diferentes: é cósmica (ativa) e é o orixá que ocupa o pólo negativo da linha elemental pura do ar, onde polariza com Ogum. Já em seu segundo elemento ela polariza com Xangô, e atua como o pólo ativo da linha da Justiça, que é uma das sete irradiações divinas.


Na linha da Justiça, lansã é seu aspecto móvel e Xangô é seu aspecto assentado ou imutável, pois ela atua na transformação dos seres através de seus magnetismos negativos. lansã aplica a Lei nos campos da Justiça e é extremamente ativa. Uma de suas atribuições é colher os seres fora-da-Lei e, com um de seus magnetismos, alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para, só então, redirecioná-lo numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.


As energias irradiadas por lansã densificam o mental, diminuindo seu magnetismo, e estimulam o emocional, acelerando suas vibrações.Com isso, o ser se torna mais emotivo e mais facilmente é redirecionado. Mas quando não é possível reconduzi-lo à linha reta da evolução, então uma de suas sete intermediárias cósmicas, que atuam em seus aspectos negativos, paralisam o ser e o retém em um dos campos de esgotamento mental, emocional e energético, até que ele tenha sido esgotado de seu negativismo e tenha descarregado todo o seu emocional desvirtuado e viciado.


Nossa amada mãe Iansã possui vinte e uma lansãs intermediárias, que são assim distribuídas: Sete atuam junto aos pólos magnéticos irradiantes e auxiliam os orixás regentes dos pólos positivos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo os princípios da Justiça Divina, recorrendo aos aspectos positivos da orixá planetária Iansã. Sete atuam junto aos pólos magnéticos absorventes e auxiliam os orixás regentes dos pólos negativos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo seus princípios, recorrendo aos aspectos negativos da orixá planetária Iansã. Sete atuam nas faixas neutras das dimensões planetárias, onde, regidas pelos princípios da Lei, ou direcionam os seres para as faixas vibratórias positivas ou os direcionam para as faixas negativas.


Enfim, são vinte e uma orixás lansãs intermediárias aplicadoras da Lei nas Sete Linhas de Umbanda.Como seus campos preferenciais de atuação são os religiosos, não é de se estranhar que nossa amada mãe lansã intermediária para a linha da Fé nos campos do Tempo seja confundida com a própria Obá, já que é ela quem envia ao tempo os eguns fora-da-Lei no campo da religiosidade.


lansã do Tempo tem um vasto campo de ação e colhe os espíritos desvirtuados nas coisas da Fé, enviando-os ao Tempo onde serão esgotados. Porém, antes ela tenta reequilibrá-los e redirecioná-los, só optando por enviá-los a um campo onde o magnetismo os esvazia quando vê que um esgotamento total em todos os sete sentidos é necessário. Já lansã das Almas, é outra intermediária de nossa mãe maior lansã que é muito solicitada e muito conhecida, porque atua preferencialmente sobre os espíritos que desvirtuam os princípios da Lei que dão sustentação à vida e, como vida é geração e Omulu atua no pólo negativo da linha da Geração, então ela envia aos domínios de Tatá Omulu todos os espíritos que atentaram contra a vida de seus semelhantes ao desvirtuarem os princípios da Lei e da Justiça Divina.Logo, seu campo escuro localiza-se nos domínios do orixá Omulu, que rege sobre o lado de "baixo" do campo santo. Também são muito conhecidas as lansãs intermediárias Sete Pedreiras, dos Raios, do Mar, das Cachoeiras e dos Ventos (lansã pura). As outras assumem os nomes dos elementos que lhes chegam através das irradiações inclinadas dos outros orixás, quando surgem as Iansãs irradiantes e multicoloridas. Temos: Iansã do Ar, Iansã Cristalina, lansã Mineral, Iansã Vegetal, lansã Ígnea, lansã Telúrica, lansã Aquática. Bom, já deu para se ter uma idéia do imenso campo de ação do mistério Iansã.


O fato é que ela aplica a Lei nos campos da Justiça Divina e transforma os seres desequilibrados com suas irradiações espiraladas, que o fazem girar até que tenham descarregado seus emocionais desvirtuados e suas consciências desordenadas!


Fonte: "O Código de Umbanda", de Rubens Saraceni

Pontos Cantados de OGUM


Seguem alguns Pontos Cantados de Ogum:


- Foi na lei de Umbanda, Orixá que comanda é Ogum / Ogum iê, meu pai / Ele é
um guerreiro, segura o terreiro, Ogum.................................................................................... 2X
- Sarava Ogum Iara / Ogum Beira-Mar / Auê Ogum Rompe-Mato / Ogum de lei /
Quem esta de ronda é Ogum Megê....................................................................................... 2X

-------------------------

- Quem esta de ronda é São Jorge / Deixa São Jorge, rondar................................................. 2X
- São Jorge é guerreiro / Quem manda na terra / Quem manda no mar................................... 2X
- Sarava meu pai / Sarava meu pai.
- Girar é bom........................................................................................................................ 3X
- É bom de mais.

-------------------------

- Se Ogum é meu pai não me deixe sofrer tanto assim............................................................ 2X
- Quando eu morrer vou passar lá na aruanda / Sarava Ogum / Sarava Sr. Sete Ondas........... 2X

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- Se Ogum é meu pai, vencedor de demandas / Ele vem de aruanda para salvar
filhos de Umbanda................................................................................................................. 2X
- Ogum, Ogum Iara............................................................................................................... 2X
- Salve os campos de batalha / Salve a Sereia do mar.
- Ogum, Ogum Iara............................................................................................................... 2X

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- Iara, Iara, sarava sua flecha / Sua lança lá no mar................................................................ 2X
- Se meu pai é Ogum, minha mãe é Iemanjá / Sarava sua flecha, sua lança lá no mar............... 2X

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- Quero ver quem esta de ronda / Quero ver quem vai rondar................................................ 2X
- Oh! Abre as portas, oh! Gente / Deixa a falange de São Jorge entrar................................... 2X

-------------------------

- Ogum em seu cavalo corre / E a sua espada reluz................................................................ 2X
- Ogum, Ogum Megê / Sua corôa cobre os filho de Jesus, Ogum iê!...................................... 2X

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- Ogum, já nos adorou / Ogum, já nos saravou...................................................................... 2X
- Filhos de pemba, que tanto choram / É o Sr. Ogum que já vai embora................................. 2X


Ogum – Deus do Ferro, da Guerra, das Demandas. Dentro do sincretismo passou a ser assimilado, ora a Santo Antonio, na Bahia, ora a São Jorge, em outros estados.

terça-feira, 22 de abril de 2008

OGUM

Ogum é o Orixá da Lei e seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão e a emoção. É o Trono Regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos.

Ogum é sinônimo de lei e ordem e seu campo de atuação é a ordenação dos processos e dos procedimentos. O Trono da Lei é eólico e, ao projetar-se, cria a linha pura do ar elemental, já com dois pólos magnéticos ocupados por Orixás diferenciados em todos os aspectos. O pólo magnético positivo é ocupado por Ogum e o pólo negativo é ocupado por Iansã.

Esta linha eólica pura dá sustentação a milhões de seres elementais do ar, até que eles estejam aptos a entrar em contato com um segundo elemento. Uns têm como segundo elemento o fogo, outros têm na água seu segundo elemento, etc.Portanto, na linha pura do "ar elemental" só temos Ogum e Iansã como regentes. Mas se estes dois Orixás são aplicadores da Lei (porque sua natureza é ordenadora), então eles se projetam e dão início às suas hierarquias naturais, que são as que nos chegam através da Umbanda.

Os Orixás regentes destas hierarquias de Ogum e Iansã são Orixás Intermediários ou regentes dos níveis vibratórios da linha de forças da Lei.S aibam que Oxalá tem sete Orixás Intermediários positivos e tem outros sete negativos, que são seus opostos, e tem sete Orixás neutros; Oxum tem sete Orixás intermediárias positivas e tem outras sete negativas, que são suas opostas; Oxóssi tem sete Orixás intermediários positivos, sete negativos, que são seus opostos, e tem sete outros que formam uma hierarquia vegetal neutra e fechada ao conhecimento humano material; Xangô tem sete Orixás intermediários positivos e tem sete negativos, que são seus opostos. E o mesmo acontece com Obaluayê e Yemanjá.

Agora, Ogum e Iansã são os regentes do mistério "Guardião" e suas hierarquias não são formadas por Orixás opostos em níveis vibratórios e pólos magnéticos opostos, como acontece com outros. Não, senhores! Ogum e Iansã formam hierarquias verticais retas ou seqüenciais, sem quebra de "estilo" , pois todos os Oguns, sejam os regentes dos pólos positivos, dos neutros ou tripolares, ou dos negativos, todos atuam da mesma forma e movidos por um único sentido: aplicadores da Lei!

Todo Ogum é aplicador natural da Lei e todos agem com a mesma inflexibilidade, rigidez e firmeza, pois mão se permitem uma conduta alternativa. Onde estiver um Ogum, lá estarão os olhos da Lei, mesmo que seja um "caboclo" de Ogum, avesso às condutas liberais dos freqüentadores das tendas de Umbanda, sempre atento ao desenrolar dos trabalhos realizados, tanto pelos médiuns quanto pelos espíritos incorporadores.Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado.

Fonte - trechos do Código de Umbanda - Rubens Saraceni

Final da Enquete!

Olá pessoal!

Agradeço à todos pela votação. Tivemos um empate em 3 assuntos, portanto serão os próximos assuntos sobre os quais dissertarei. Tenho uma apostila de Pontos Cantados, e passarei aos poucos para vocês. Penso em enviar de acordo com o tema que estivermos falando.

Vamos começar pelos Orixás, depois falaremos das diversas Entidades, e ao mesmo tempo, vou anexando os Pontos.

Os Orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá os aproxima dos seres humanos, pois eles se manifestam através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários.

Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravidão, cada Orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem seus deuses vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.

Estes deuses da Natureza são divididos em 4 elementos - água, terra, fogo e ar. Alguns estudiosos ainda vão mais longe e afirmam que são 400 o número de Orixás básicos divididos em 100 do Fogo, 100 da Terra, 100 do Ar e 100 da Água, enquanto que, na Astrologia, são 3 do Fogo, 3 da Terra, 3 do Ar e 3 da Água. Porém os tipos mais conhecidos entre nós formam um grupo de 16 deuses. Eles também estão associados à corrente energética de alguma força da natureza.

Assim, Iansã é a dona dos ventos, Oxum é a mãe da água doce, Xangô domina raios e trovões, e outras analogias.

Na Umbanda e no Candomblé se cultuam muitos outros orixás, desconhecidos por leigos, por serem menos populares do que Xangô, Iansã, Oxossi e outros, mas com um significado muito forte para os adeptos dos cultos afro-brasileiros. Alguns são necessariamente cultuados, devido à ligação com trabalhos específicos que regem, para a saúde, morte, prosperidade e diversos assuntos que afligem o dia-a-dia das pessoas. Estes deuses africanos são considerados intermediários entre os homens e Deus, e por possuírem emoções tão próximas dos seres humanos, conseguem reconhecer nossos caprichos, nossos amores, nossos desejos. É muito comum, alguns dizerem que suas personalidades são conseqüências dos Orixás que regem suas cabeças, desenvolvendo características iguais às destes deuses africanos.

Aos poucos, falarei sobre os 16 Orixás mais cultuados no Brasil. Lembramos que existem diversas correntes no Candomblé e na Umbanda, por essa razão as informações poderão ser diferentes de acordo com a tradição ou região.

Mais uma vez, obrigada!
Que a luz do amor ilumine os caminhos de todos vocês!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

FEITIÇOS


Importante ressaltar a força do pensamento na realização dos feitiços, que são práticas maléficas. Segundo Ramatis: "Sem dúvida, quer seja feitiço verbal ou mental, o pensamento é sempre o elemento fundamental dessa prática maléfica, pois não existem palavras sem pensamentos e sem idéias. Quando o homem fala, ela mobiliza energia mental sobre o sistema nervoso, para então acionar o aparelho de fonação e expressar em palavras as idéias germinadas na mente."


Temos pois que cuidar de nossos pensamentos e desejos, pois só o fato de pensarmos, já emanamos vibrações para o outro, e esta, sem dúvida, voltará em dobro para nós! Esta é a Lei da ação e reação. Portanto melhor, que nos envolvamos em energias de evolução e parceria, bem como de caridade em prol do próximo, pois assim, receberemos em dobro!


O feitiço mental é o mais perigoso de todos, pois é elaborado friamente sob o calculismo da consciência desperta, em vez de ser resultado de um instinto emocional sem controle da própria raiva. O feitiço verbal em forma de maldição pode ser gerado em um momento de ira produzindo mais fumaça do que ruínas, já o mental não!


O feitiço mental, quase sempre é fruto do ciúme, do orgulho, da frustração, vingança e germina e cresce no silêncio da alma doente e provoca, desde seu início, mais mal a quem o realizou, do que para quem foi emanado. Portanto, muito cuidado com os pensamentos!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Baralho Cigano

O Baralho Cigano é uma arte milenar cigana, a qual vem trazendo através de adivinhações e magias um auto-aprendizado para que o consulente possa escolher, dentre muitos, o seu melhor caminho. O Baralho Cigano não é como o Tarot, transcendental. Ele dá mais ênfase ao dia-dia, por isso mesmo é o ideal para enfoque físico: amor, trabalho e família.

A Cartomancia, é um dos costumes ciganos mais conhecidos, afinal muitas pessoas recorrem a este povo para saber o futuro pelas cartas. De acordo com a tradição, o Baralho Cigano só poderá ser lido por mulheres, pois trazem em seu interior a energia da lua, do oculto, tendo a luz da vidência , o dom do sentir, pressentir e interpretar.

Para a leitura das cartas, as ciganas utilizam um baralho comum, desses usados para jogos de azar, retirando o curinga e as cartas que vão do dois ao cinco, restando 36 cartas que são utilizadas para a leitura. O Povo Cigano associou à essas cartas algumas figuras do seu simbolismo esotérico.

O Povo Cigano é guardião da liberdade. Seu grande lema é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o Carroceiro.
Em sua maioria, os ciganos são artistas e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas. Rotulados injustamente como ladrões, feiticeiros e vagabundos, os ciganos tornaram-se um espelho onde os homens das grandes cidades e de pequenos corações expiaram suas raivas, frustrações e sonhos de liberdade destruídos. Pacientemente, este povo diferenciado, continuou sua marcha e até hoje seus estigmas não sararam.
Na verdade cigano que se preza, antes de ler a mão, lê os olhos das pessoas, que são os espelhos da alma, e tocam seus pulsos para sentirem o nível de vibração energética e só então é que interpretam as linhas das mãos. A prática da Quiromancia para o Povo Cigano não é um mero sistema de adivinhação, mas, acima de tudo um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e o espírito; sobre a saúde e o destino.

Independente de sua versão, o Baralho Cigano se mantém firme, pois não sofreu muitas alterações, onde os velhos segredos e mistérios foram sendo passados de geração em geração. Uma edição bastante apreciada é a concebida por ANNE MARIE ADELAIDE LE NORMAND, uma cartomante francesa, que no século XVIII conseguiu cópias destas lâminas e as imprimiu, divulgando ser seu este mérito, pois possuía o privilégio de ter como cliente o Imperador Napoleão Bonaparte. Após a sua morte em 1834, este Baralho de origem cigana, como que caiu no esquecimento para a cultura ocidental, até que em 1922 seus manuscritos, descrevendo as lâminas, seus significados e os segredos de sua manipulação foram descobertos. É importante salientar que os antigos valores atribuídos às cartas permanecem os mesmos e ainda assim perfeitamente atuais com relação à vida cotidiana do momento. O fato é que as suas raízes remontam às mais antigas tradições esotéricas.

Os ciganos, povo nômade por excelência, apropriaram-se destes conhecimentos secretos e os simplificaram nessas 36 cartas, numa síntese formidável, entre os naipes, os elementos da natureza, as simbologias, fora o toque mágico que este povo maravilhoso possui em seu sangue.

De origem africana, os búzios transmitem mensagens dos orixás para seus filhos. Búzios são conchas pequenas de praia. O jogo de búzios é uma das artes divinatórias das Religiões Afro-brasileiras, que consiste no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise da configuração que os búzios adoptam ao cair sobre ela. O adivinho, antes reza e saúda todos os Orixás e durante os arremessos, conversa com as divindades e faz-lhes perguntas. Considera-se que as divindades afetam o modo como os búzios se espalham pela mesa, dando assim as respostas às dúvidas que lhes são colocadas.

Trata-se de um oráculo sagrado e preciso, quando manuseado por um Babalorixá responsável e que age de acordo com as Leis Divinas é extremamente eficaz na identificação e solução de todos os tipos de problemas, sejam eles de ordem física ou espiritual. A adivinhação é o ato ou esforço de predizer coisas distantes no tempo e no espaço, especialmente o resultado incerto das atividades humanas. O jogo de búzios busca determinar o significado ou as causas ocultas dos acontecimentos, predizendo às vezes o futuro.

O ser humano sempre questionou o motivo de sua estadia sobre a terra e, principalmente ,o mistério que envolve o seu futuro. A insegurança e a curiosidade em relação ao futuro fez com que o homem tentasse, de diferentes maneiras prever o que lhe estava reservado, vindo a se precaver de todos os tipos de maléficos, como pôr exemplo, a má sorte, dificuldades amorosas, sociais, financeiras e outros, sendo assim o homem assegurava para si a certeza da efetivação dos diferentes acontecimentos benéficos.




sexta-feira, 28 de março de 2008

IFÁ

Ifá é a divindade da adivinhação. Não é um Orixá. É um ser intermediário entre os Orixás e os homens. Ifá, entretanto, por trazer aos homens o conselho dos deuses, situa-se numa posição importante. Assim, antes de qualquer empreendimento, de ordem bélica, religiosa ou profana, Ifá ou Fá era consultado.

Na Umbanda, pelo sincretismo, a personalidade mítica do oráculo Nagô Ifá está sendo aproximada do Divino Espírito Santo. Enquanto primitivo oráculo dos Orixás, Ifá não pode ser considerado com divino, no entanto, a sua homologação ao Divino Espírito Santo o está colocando em nível próximo do Divino.

Ifá está assumindo apenas aspectos superficiais da Pessoa do Divino Espírito Santo, através dos símbolos. A personalidade mítica de Ifá se esvaziou, perdendo o conteúdo africano, sem ter adquirido um novo, já que o conceito teológico do Divino Espírito Santo, que serviria de nova roupagem à Ifá, é desconhecido.

Para os umbandistas, Ifá é tido como a estrela que guiou os Magos ao encontro de Jesus recém-nascido, a Pomba - verdadeiro símbolo do Divino espírito Santo. Ifá é considerado como elemento de ligação mágica entre Zambi / Deus e Oxalá / Jesus. A aproximação entre Ifá e o Divino Espírito Santo é ainda puramente conceitual, não se inserindo nas práticas rituais, nem nas letras dos pontos cantados.

O nome de Ifá permanece ligado à prática do jogo advinhatório com os búzios. A fenomenologia do seu sincretismo com o Divino espírito Santo é lacunosa e as etapas de seu processo sincrético desconhecidos. Ifá alçado a posição de terceira pessoa de uma trindade superior, paralela à Trindade Cristã, por ser mal conhecido, se encontra em posição imprecisa e vaga, razão pela qual, não foi assumido no culto, na posição correspondente à que deveria ocupar, daí não ser louvado no início das giras, como sucede com Oxalá.

Lenda - "Ifá era muito pobre e vivia da pesca. Então fez um trato com Legbá - o mensageiro celeste. Ele pediu que Exú lhe arranjasse riqueza e em troca ele seria à Exú como escravo por 16 anos. Exú, muito ladino, conhecedor das artes advinhatórias, ficou feliz em ter a companhia de Ifá. E aos poucos foi ensinando-lhe os segredos do futuro. Usava para ensinar a Ifá uns coquinhos de dendê. Mas, Ifá aprendeu tanto, que já não tinha vontade, nem tempo para limpar a casa de Exú. Um dia apareceu uma bela mulher na casa de Exú. Era Apetebi, e pediu para ajudar a arrumar a casa do Compadre. E aos poucos foi aprendendo a arte da adivinhação. Apetebi só se vestia de dourado e quando passava deixava um rastro de perfume. Ela não era outra se não Oxum. Oxum foi ensinada por lfá através do jogo com 16 coquinhos de dendê. E tanto aprendeu que Exú passou a responder a todas as perguntas da Yabá Menina".

quinta-feira, 27 de março de 2008

Linha da Água

Os espíritos elementais, que não são humanos nem da categoria dos orixás, ocupam o ar (SILFO), a água (NINFAS), o fogo (SALAMANDRAS) e a terra (GNOMOS). No mundo inteiro, onde quer ssque encontre um rio, um lago, um trecho de mar, o povo julga ver ninfas, sereias ou nereidas. É uma crença universalmente espalhada.
A Umbanda possui também suas entidades aquáticas. Não são espíritos elementais, como os citados, mas verdadeiros ORIXÁS. Na mitologia Nagô, por exemplo, OBÁ é a divindade do rio OBÀ; NANÃ é a mais velha das mães d'água; YANSAN é o orixá do rio NÍGER; OXUN do rio OXÚN; finalmente YEMANJÁ, a poderosa YEMANJÁ é o orixá do mar e da água doce.
Em muitos pontos do Brasil, houve o cruzamento de indígenas com africanos. Essa mistura de raças deu como resultado um interessante sincretismo religioso, que se torna mais evidente na parte relativa às entidades aquáticas. A YARA, por exemplo, foi adotada pelos umbandistas, porque a sua função espiritual é semelhante à de YEMANJÁ.

A linha da água, nas giras de Umbanda, geralmente se manifesta para purificar e energizar os filhos de santo, nem como a assistência. Sua manifestação é rápida. Não falam, e em suas danças sempre se movimentam com gestos que representam seus domínios.

A incorporação de Yemanjá, é bastante serena, e sempre movimentam os braços lentamente como se estivessem abrindo caminho entre as ondas do mar. Ao contrário de Iansã, que como uma grande ventania é agitada e sempre movimenta os braços para cima, expulsando os eguns.

A linha d'água ainda traz Oxum e Nanã. Oxum das cachoeiras e lagos, e Nanã Boruquê das águas lodosas e barrentas. A linha d'água representa o ciclo da renovação.

Essas entidades, como as águas, levam as energias negativas, e nos devolvem fôlego renovado e purificado. Por isso, quando fizer alguma oferenda no mar, lembre-se: O mar leva, mas também trás, portanto se quiser receber flores, antes de mandá-las ao mar, tire os espinhos.

segunda-feira, 24 de março de 2008

PATUÁ

O Patuá é um objeto consagrado que traz em si o Aché, a força mágica do Orixá, do Santo católico ou Guia de Luz, à quem ele é consagrado.

O uso do Talismã se perde na origem do tempo e confunde-se com a própria história do homem. Era comum o pedido de Patuá por parte dos simpatizantes e, até mesmo por aqueles que temiam o culto afro, para neutralizar os trabalhos de magia negra.

Entre os católicos já era hábito usar um fragmento de qualquer objeto que houvesse pertencido a um Santo, ou a um papa, até mesmo fragmento de ossos de um mártir, ou lascas de uma suposta cruz que teria sido a de Cristo. Até mesmo terra era trazida pelos cruzados que voltavam da Terra Santa, e que utilizavam nos relicários, considerados poderosos amuletos, que deveriam atrair bons fluidos e proteger dos azares. Estes eram chamados de relicários.

O nome de relicário tem origem do latim: relicare - religar, que acabou formando a palavra relíquia.

Logo, o clero percebeu que não poderia impedir o uso dos pátuas pelos negros que os tiravam antes de entrar na igreja, mas voltavam a usá-lo ao afastar-se dela. Decidiram então, substituir o patuá africano, o autêntico, que trazia trechos do alcorão, por outro que trazia orações católicas, medalhas sagradas, agnus dei, uma espécie de medalha com o formato de coração, que abre-se ao meio e encontram-se as figuras de Jesus e Maria, ou ainda, símbolos da igreja tradicional.

Com a formação dos primeiros templos de Umbanda, a possibilidade de um contato mais estreito com diversas Entidades Espirituais, as pessoas que buscavam proteção, começaram a encontrar nesses objetos sagrados, um apoio em algo material, que continha a força mágica vibratória da Entidade que a trabalhara, e que o crente poderia ter sempre consigo. A partir daí, as Entidades de Luz passaram a orientar sua elaboração, indicando quais os objetos que seriam incluídos na confecção do patuá, e como se deveria proceder com elas, para que recebessem o seu Aché, isto é, a Força Mágica.

Os ingredientes mais utilizados para a confecção dos Patuás são as Figas de Guiné, Cavalos Marinhos, Olhos de Lobo (raros e caros), Estrela de Salomão, Estrela da Guia, Cruz de Caravaca, Couro de Lobo, Pelo de Lobo, Santo Antonio de Guiné, Pontos diversos, Orações, Sementes variadas, Imãs, etc.

Não nos esqueçamos que essas coisas singelas não têm nenhum valor se não forem preparadas pelas entidades incorporantes, pois somente elas podem dar o Aché do Patuá.

terça-feira, 18 de março de 2008

Características dos Filhos de Obá

O arquétipo de Obá é a das mulheres valorosas e incompreendidas. Suas tendências um pouco viris fazem-nas freqüentemente voltar-se para o feminismo ativo. As suas atitudes militantes e agressivas são consequências de experiências infelizes ou amargas por elas vividas. Os seus insucessos devem-se, frequentemente, a um ciúme um tanto mórbido. Entretanto, encontram geralmente compensação para as frustrações sofridas em sucessos materiais, onde a sua avidez de ganho e o cuidado de nada perder dos seus bens tornam-se garantias de sucesso.

Os filhos de Obá não tem muito jeito para se comunicar com as pessoas, chegam a ser duros e inflexíveis. Têm dificuldade de ser gentis e estabelecer um canal de comunicação afetiva com os outros; às vezes são brutos e rudes afastando as pessoas de sí. Isso se deve ao fato de os filhos de Obá, na maioria ds vezes, sofrerem um certo complexo de inferioridade achando que as pessoas que se aproximam querem tirar alguma coisa. De fato isso pode acontecer com os filhos de Obá.

Sua sinceridade chega a ferir; Expressam suas opiniões, fazem críticas e acabam magoando as pessoas, pois não se preocupam em ser agradáveis. Mas essa agressividade é puramente defenciva; São bons companheiros e amigos fiéis, são ciumentos e pocessivos no amor, por isso não não tem muita sorte. Quando apaixonados, nunca são senhores da relação, cedem em tudo, abidicam de todas as suas convicções.

Infelizes no amor, investem todas as suas cartas em suas carreiras e, dentre as mulheres que se destacam profissionalmente numa sociedade machista, podem-se encontrar muitas filhas de Obá. Muitas vezes despertam a inveja de seus inimigos e podem sofrer algumas emboscadas, por isso devem vencer a tendência que possuem para a ingenuidade.

Mensagem de Luz!

Quem é bom, dá para quem vive...
Quem ama, vive para dar!

Quem é bom, suporta a ofensa...
Quem ama, esquece-a!

Quem é bom, compadece-se do próximo...
Quem ama, ajuda-o!

Quem é bom, começa e acaba...
Quem ama, começa para nunca acabar!

Quem é bom, sorri...
Quem ama, faz sorrir!

Quem é bom, ajuda quando está perto...
Quem ama, sempre está perto para ajudar!

Quem é bom, não condena...
Quem ama, recebe o condenado!

Quem é bom, não faz mal a ninguém...
Quem ama, faz o bem a quem lhe fez mal!

Quem é bom, desce até os outros...
Quem ama, faz os outros subirem!

Quem é bom, sobe conosco ao calvário...
Quem ama, fica por nós na cruz!

Esta mensagem é maravilhosa, e encerra uma lição surpreendente! Buscamos a evolução, como Filhos de Fé, porém, muitas vezes, pouco fazemos daquilo que é esperado por nosso Pai Maior!

É óbvio que estamos distantes de Jesus, mas nada nos impede de caminharmos em Sua direção, trilhando pelos caminhos que Ele nos ensinou! Busquemos fazer um pouco mais a cada dia, através da caridade, e, quando percebermos, teremos chegado mais perto do Pai, que é o objetivo de todos nós!

Que a Luz do Pai Maior brilhe todos os dias em sua vida!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Conselhos de Seu João - Exú de Luz

Quem tem olhos, que veja, e aprenda com os outros. Observar, sem julgar, perceber o outro com suas limitações e qualidades - o que podemos imitar para sermos melhores? O que não queremos para nós? Se vivermos a mesma situação, faríamos igual... ou pior? Como agiremos, se a vida nos proporcionar essa mesma vivência? Esse é o caminho verdadeiro do crescimento espiritual - quem tem olhos que veja!

Ser espírita, não é só falar que o é, é viver em Deus! É viver ao todo, desde que abre o olho, desde que acordamos - agradecendo por termos mais um dia de oportunidade de aprendizado, termos saúde, casa, alimento, família, amigos, ou simplesmente porque abrimos os olhos... poucos se lembram de agradecer, na verdade quase todos se lembram do pai, somente na hora de pedir... ou de reclamar... que foi esquecido, quando na verdade, esquecemos Dele, quase todos os dias, principalmente nas alegrias, pois nossa arrogância nos diz que nós conseguimos tudo, porque somos bons, espertos, inteligentes, oportunos... menos que somos filhos de um Pai Divino, que nos amapara 24 horas por dia....


Precisamos aprender a sermos benevolentes para darmos "baile" na energia ruim, passando ileso por ela. Quase todos nós, achamos que o olho gordo do outro, o trabalho feito por aquela pessoa, a inveja, a mágoa, são os responsáveis por nossas dificuldades e/ou mal-estar, quando na verdade somos os únicos responsávei8s, pois ou estamos regatando, ou nos alinhamos naquela energia, ou não estamos preocupando em compreender o outro, ou melhor, o que a vida quer nos ensinar com aquele sofrimento, pois o sofrimento nada mais é do que uma o9portunidade de aprendizado. Nós, como pais imperfeitos, desejamos o melhor para nossos filhos... que dirá nosso Pai Maior, como pode nos castigar??? Ele pretende nos orientar, através dos ensinamentos diários, nós é que escolhemos o caminho mais difícil - o da dor, acreditando ser o mais fácil, por termos nossos olhos fechados para a grandeza da alma, da vida!

É preciso ter equilíbrio emocional na vida, pois dar ao outro sem ter amor, equilíbrio, saúde, como fazer a caridade? Temos responsabilidade em buscarmos sempre nos equilibrar, antes mesmo de fazermos a caridade, pois como dar ao outro, o que não temos para nós? precisamos nos amar, nos cuidar, estudar, pois a verdadeira Fé não é cega, e sim, construída em uma base de conhecimento sedimentado na utilização de nossa inteligência e análise.

A pedra fundamental está na própria essência, a partir da essência que exala amor, caridade, aí sim há vida, é uma troca. ar amor, equilíbrio ao outro, ele se fortalece e seu espírito é renovado pelo agradecimento. Não devemos esperar algo em troca, quando fazemos a caridade, plantemos a semente, e deixemos que o tempo se encarregue do resto, lembrando sempre, de como tivemos dificuldades em entender pequenos detalhes, problemas diários, ou questionamentos profundos da alma, por que não compreender a dificuldade do outro, quando ainda não temos a vi8são do todo? Prestar atenção em nossa trave no olho, mais do que no cisco do outro.... Isto também é caridade.

Desistimos, infelizes, porque sentimos nosso trabalho vão. Pensamos - colocamos umas pedras para construir algo, outros vêm e chutam, destróem, nunca vou conseguir... e desistimos... É preciso equilíbrio, entender a necessidade do outro, em vez de chutar e depois pedir desculpa, pois quando somos chutados, tendemos a chutar também. Em nossa cegueira, acreditamos na justiça feita por nossas próprias mãos, em nosso imaturo julgamento, nos percebemos vítmas, quando somos algozes. Pior ainda, quando nem o percebemos e nem pedimos desculpas, mas o ideal, nem precisarmos pedir desculpas...

Aonde vai colocar esse vaso? Divide a carga do outro consigo, somando a sua espiritualidade com o outro. Busquemos sempre respeitar o outro, aquele que vive conosco, ou que trabalha conosco, materialmente ou espiritualmente. Viver é bom, bonito, mas precisa domínio dos sentimentos da sua espiritualidade, sempre com respaldo, respeito para quem o dirige.

Temos dentro de nós uma fera e uma criança, cabe a nós mesmo, escolher, quem iremos alimentar... A fera é a defesa - domine-a e amamente e acalente a criança, sem deixar a fera te dominar, para parecer um bicho acuado, melhor dar força para nossa criança, que ainda tem possibilidade de crescer e se desenvolver, melhor ainda, dirimir possíveis agressões... Muita luz em seu caminho, e que a vossa mente esteja sempre aberta, junto com seus olhos... e quem tiver olhos de ver, que veja!

quinta-feira, 6 de março de 2008

REFORMA ÍNTIMA – UM CAMINHO PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL - Parte IV

A intolerância – é a semente da compaixão. A intolerância é a incapacidade de admitir outra maneira de ser, de pensar ou de agir. A virtude da compaixão nada mais é do que a capacidade de aceitar e reconhecer o outro em sua maneira de ser, de pensar e de agir, conseguindo entender as dificuldades e deficiências alheias. A imperfeição da intolerância é bem difícil de ser superada, pois a pessoa acredita que está fazendo o correto e acaba atraindo para perto de si, pessoas que dificilmente teriam compaixões para com ela. A intolerância gera doenças no aparelho digestivo, nas mais diversas intensidades de manifestação sintomática, causando problemas de pele ou de visão, desde os mais comuns até os mais sérios ou de rigidez muscular.

É fundamental sermos tolerantes, principalmente com as crianças, e darmos importância aos nossos relacionamentos com as crianças, que ainda podem transformar mais facilmente suas imperfeições em virtudes, pois a criança vive mais pelo essencial, ou seja, por aquilo que ela é, aspecto que passa a ser dissimulado na vida adulta. A conscientização de uma imperfeição no adulto pode representar uma vivência muito dolorida de culpa, pois vivemos em uma guerra de poder e de aspectos preconceituosos que representam esse poder. Para o adulto, reconhecer-se imperfeito é um dos maiores sacrifícios da vida, pois tal reconhecimento significará uma fraqueza perante os outros, já com a criança, esse processo é muito mais fácil, rápido, e menos dolorido.


Uma virtude desenvolvida é um dom e, como todo dom verdadeiro, não existe maneira de perdê-lo. Uma virtude realmente desenvolvida é aquela na qual se tem certeza absoluta do que se é, não cabendo dúvidas. Podemos desenvolver aspectos de uma virtude, mas sem a certeza e convicção da verdade daquela virtude em si mesma, chegando a negá-la por sentimentos e pensamentos, atraindo então, aspectos físicos e espirituais da imperfeição ligada à virtude quase desenvolvida, portanto, importante é refletirmos e nos auto-analisarmos sempre, para não perdermos os frutos de nosso desenvolvido, até aprendermos nossa lição!


Acreditar na perfeição máxima é um dever de cada ser humano, mas acreditar-se totalmente perfeito é um grande problema. O perfeccionismo é uma imperfeição tão sutil e dissimulada, e seu maior perigo é que, antes de se manifestar externamente afetando outras pessoas, ele joga com a criatura contra si mesma, fazendo com que a pessoa cobre de si mesma, o impossível. Ele gera muito sofrimento, pois a pessoa deixa de compreender os limites e as capacidades do ser relativo. Precisamos nos reconhecer como seres imperfeitos, sabendo que as imperfeições são as sementes das virtudes e, portanto tão divina, uma quanto à outra. Busquemos então, perceber nossas imperfeições, visando desenvolver nossas virtudes, sem nos preocupar com que os outros estejam fazendo com as próprias imperfeições, pois o desenvolvimento espiritual, é um caminho a ser percorrido individualmente, cada qual a seu próprio tempo.
Luz e paz à todos, é o que desejo de coração!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

REFORMA ÍNTIMA – UM CAMINHO PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL - Parte III

As pessoas precisam acordar e perceber que elas mesmas criam a sua realidade. Precisamos mudar nossa maneira irresponsável de viver, de deixarmos de ser crianças espirituais, tornando-nos efetivamente adultos, em nossa essencialidade.

O orgulho – é a semente da humildade. O orgulho em detrimento da humildade desenvolve doenças que atingem a face e frequentemente são atingidas por problemas nos órgãos sensoriais, apresentando tonturas e perdas de equilíbrio. As pessoas orgulhosas são infelizes, apresentam tristezas profundas, que as tornam apáticas e, assim, fogem do mundo. Não aceitam ajuda facilmente, mesmo quando em situações precárias e dissimulam o quanto se sentem inferiores.

As pessoas acreditam que o afloramento das imperfeições acontece diante de situações graves, mas na verdade, surgem em processos bem mais simples, que aparentam ser coisinhas passageiras, às quais, comumente, as pessoas não dão real importância, o que as torna vulneráveis.

Quando uma virtude é conquistada abre-se para a pessoa a consciência do fantástico universo de criaturas que vivem sob o jugo das mais sérias imperfeições. As almas evoluídas não se regozijam com isso, ao contrário, sentem vontade de ajudar tais criaturas. Isso nos explica, porque muitos se sacrificam em prol de seus semelhantes.

O egoísmo – é a semente do altruísmo. O altruísmo é a principal virtude, quem a possuiu, de certo modo, já possui todas as outras virtudes. A pessoa egoísta desenvolve doenças nos aparelhos, respiratório e circulatório, enfraquecendo sua imunidade, tornando-a suscetível a inúmeras infecções.

Semelhantes atraem semelhantes, mas independentemente do que expressamos, as pessoas virtuosas estão sempre muito próximas. Quem se expressa por imperfeições não consegue enxergar uma pessoa virtuosa ao seu lado... É importante que os relacionamentos deixem de ser exclusivamente sensoriais, norteados unicamente pelos sentidos e pelos desejos.

O instinto sexual é a mais potente força de prazer natural das espécies, inclusive do homem. Não devemos negar o instinto sexual, pois é uma energia evolutiva, dela depende todo o aprimoramento da espécie e foi por essa energia, que nós desenvolvemos o corpo que possuímos atualmente, e é através da transmutação dessa energia que adquiriremos corpos mais sutis e evoluídos. Por ser uma energia, jamais deve ser reprimida, mas sim transformada, pois a repressão pura e simples desta energia faz com que a pessoa desenvolva sérios distúrbios de comportamento.

Reprimir a energia sexual significa limitá-la somente ao nível físico, com banhos frios ou castigos corporais. Dar vazão é tão grave quanto reprimir, o fundamental é o equilíbrio. Devemos direcionar essa energia não somente para o prazer, mas também para o equilíbrio de nossas ações e reações, buscando nosso auto-controle. Somente com o domínio dessa energia é que conseguiremos nos relacionar adequadamente com outras pessoas.

Quem não controla essa energia oscila de humor, ora explodindo, xingando, gritando ou agredindo outras pessoas, outras vezes com atitude passivas, tornando-se caladas, chorando por qualquer motivo, evitando relacionar-se com quer que seja. A energia sexual segue a lei universal dos pares contrários, ou seja, do claro e do escuro, do quente e do frio, do homem e da mulher, o importante é que os relacionamentos deixem de ser norteados apenas por aspectos sensoriais, pelos sentidos e pelos desejos.

Relacionamentos sensoriais valorizam exclusivamente o aspecto externo relacionado ao outro, tais como beleza, bens materiais, e, agir assim é negar a própria responsabilidade num casamento fracassado, pois sempre é o outro que perdeu o encanto... Manter um relacionamento sensível, nada mais é do que exercermos a capacidade sentir o outro, reconhecendo-o como ele realmente é e não como aparenta ser, evitando as teias da ilusão, que nos levam a decepção.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

REFORMA ÍNTIMA – UM CAMINHO PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL - Parte II

Pessoas que se expressam apenas por imperfeições possuem uma que é básica. A imperfeição básica é a responsável pelo que a pessoa é, tanto espiritualmente, como mentalmente, e mesmo fisicamente. Como uma imperfeição básica expressa-se muito fortemente, estimula nas pessoas a busca de situações de vida que a alimente, impedindo o afloramento das virtudes. A grande dificuldade é que a batalha só poderá ser ganha com uma única arma – o reconhecimento, pela própria pessoa, de que possui aquela imperfeição, pois somente pela conscientização e aceitação disso é que poderá transformá-la em virtude.

O pior ignorante é aquele que ignora a própria ignorância. Todas as imperfeições são nutridas por sentimentos de ódio, que expressam atitudes de retenção, mesmo que mínima, de objetos, coisas, pessoas, posições, títulos. Enfim, é tudo aquilo que desenvolve a necessidade de possuir, enquanto as virtudes são nutridas por sentimentos de amor, mesmo que também mínimos. É tudo aquilo que, libertando, desenvolve a capacidade de doar, assim como o solo nos doa as suas virtudes, ele ama, só não sabe disto.

O que caracteriza um ato de amor ou de ódio é a intenção. Ela é o fiel da balança que determina se um ato tem base no amor ou no ódio, mesmo que a intensidade seja muito pequena. O ódio é a ausência de amor.

O homem é um ser especial no universo, ele tem como missão conhecer-se a si mesmo, quando tomou conhecimento sobre si, de que era um homem e não um animal conquistou um grande poder, o poder de decidir. Com isso, começou a aprender a dominar e a desenvolver a mente por si só. Como não temos ainda pleno controle sobre a mente, ainda erramos muito. O homem é como um diamante bruto, em que suas impurezas, ou seja, suas imperfeições terão de ser lapidadas, para que no futuro, ele possa expressar brilho, por meio de suas virtudes. Quando bloqueamos o fluxo de energia, ou seja, quando não desenvolvemos as nossas virtudes, insistindo em agir nas imperfeições, bloqueamos a energia e adquirimos doenças. Devemos estar sempre atentos para aproveitar todas as oportunidades que a vida nos dá, de desenvolvermos nossas virtudes, para não atrairmos mais situações complicadas, até mesmo as doenças. Nosso destino é traçado por nós mesmos, a cada ato, quanto mais permanecermos se expressando pela imperfeição, amis criamos, mesmo sem saber, situações de sofrimento, que poderão chegar até a comprometer nosso próprio físico, com doenças.

Importante identificarmos em nós, cada imperfeição, pois ela é a semente de uma virtude. Vejamos alguns exemplos:

A avareza – é a necessidade de reter, só para si, bens materiais, dinheiro, ou seja, é a necessidade de reter coisas, o que transforma as pessoas em escravas delas mesmas. Ela é semente da virtude do desapego. O desapego é a capacidade que permite a uma pessoa possuir as coisas sem a necessidade de as reter, para não se tornar escrava delas. Livrando-se da avareza, pode-se viver em paz e harmonia, dando e recebendo equilibradamente, assim como o solo dá para a árvore os nutrientes necessários. Agindo assim, com desapego, liberamos o fluxo de energia que retemos, entrando em sintonia com o universo. Quando se bloqueia o fluxo de energia, o desequilíbrio se instala, nos deixando à mercê de várias doenças. A avareza, que é uma retenção, devido ao medo de ficar sem, de não ter, gera problemas físicos, principalmente nas pernas e pés, na coluna vertebral, intestinos, nariz e mucosas.

O que para nossa limitada e relativa visão é um erro ou um equívoco, para a visão Divina é mais uma pedra de dominó que se encaixa, alicerçando a continuidade.

A prepotência – é expressa por posturas de superioridade, em que a pessoa tende a demonstrar, por ações, que tem o poder do dominó sobre a própria vida, e sobre a vida alheia. Os prepotentes consideram-se imprescindíveis e perfeitos, diante de qualquer situação. Ela é a semente da benevolência, que nada mais significa do que ser complacente com os outros e consigo mesmo, compreendendo as limitações próprias e alheias. A prepotência, em detrimento da benevolência desenvolve doenças que causam problemas mentais e atingem principalmente a cabeça, o cérebro e o sistema nervoso.

REFORMA ÍNTIMA – UM CAMINHO PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

Para que nos tornemos realmente perfeitos, é sumamente importante nos reconhecermos como seres imperfeitos, pois as imperfeições são os alicerces das nossas virtudes. O mais difícil é entender e aceitar que a semente de cada virtude é uma imperfeição.

Tudo é regido por um fluxo de energia perfeita, que dá sentido e vida a todas as formas. Assim, única e simplesmente, é isso que, como seres humanos, devemos buscar. Nossa meta deve ser a consciência de nossas imperfeições, que transformaremos em virtudes, pois somente assim não interromperemos o fluxo de energia que é contínuo e extremamente poderoso. Nossas imperfeições o interrompem, chegando a levar as pessoas e, consequentemente, a raça à própria destruição.

Nós temos um limite, assim como um acumulador, e, se esse fluxo de energia não for liberado, pela transformação das imperfeições em virtudes, que é a única forma de manter em equilíbrio tal energia, a sobrecarga fará com que as pessoas destruam-se e, consequentemente, passem a destruir tudo que as rodeia. A expressão por meio das imperfeições equivale a algo como o solo negar a doação dos minerais para a árvore, esta negar seus frutos e flores aos insetos e animais e, assim, sucessivamente.

As pessoas vivem sofrimentos, guerras, doenças, destruição, por não conseguirem relacionar-se a partir da expressão ou manifestação das virtudes.

Expressar-se pelas virtudes não exige força, é natural. Quem as conquista é a própria virtude, pois cada virtude conquistada é como se forjássemos o dente de uma engrenagem, que quanto mais perfeita e equilibrada, menos trancos e solavancos dará, contribuindo melhor para todo o desempenho do conjunto.

Ninguém nasce virtuoso, a virtude é fruto de vidas e vidas forjando imperfeições, a fim de que as mesmas se transformem. É um caminho árduo e demorado, mas se identificarmos as imperfeições básicas, reconhecendo-as e as trabalhando, poderemos abrir um caminho bastante direto e certeiro para conquistar as virtudes.

Quem neste universo teria condições de afirmar o que o outro é ou deixa de ser, essencialmente? Para que isso fosse possível, haveria a necessidade de saber, em primeiro lugar, quem a pessoa é realmente, o que ninguém pode saber ao certo... O homem é um ser especial no universo! Ele tem como missão conhecer a si próprio.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

OBÁ - Sincretismo

Saudação: Obá Xirê.

Dia da Semana: 2° ou 4° feira.

Sincretismo: Joana D'arc ou Santa Catarina.

Elemento: Fogo.

Mineral: Cobre.

Algumas ervas de Obá: manjericão e mangueira.

Domínios: Águas Turbulentas.

Animal: Galinha de Angola.

Comida: Moqueca de ovos, manga, amalá.

Cores: Vermelho e branco ou amarelo e laranja.

Símbolos: Escudo e lança e um Ofá (arco e flecha).

Onde recebe Oferendas: A beira de um rio.

Comida para oferecer: Pato, cabra e coquem.

Particularidade: Assim como Xangô, também é uma justiceira.



4 Pontos Cantados de OBÁ:

Gira no terreiro oh minha mãe Obá. Protege os seus filhos, pra gira concentrar. Firma o seu reino aqi no meu congá. Nos dá sabedoria, vem iluminar. Com as forças da terra eu vou trabalhar, me envolve em sua luz oh minha mãe Obá 2x ...........2x

Clareia Obá iê, clareia Obá iê. Oh mãe da sabedoria, venha nos valer. 2x Você trouxe elementos, gerou nova energia. Criou o conhecimento, é mãe da sabedoria. Clareia Obá iê, clareia obá iê. Oh mãe da sabedoria venha nos valer. 2x Ela é quem reveste a serra, ela é quem sustenata o mar. É a rainha da terra que se expande pelo ar ..........2x

Ela traz conhecimento, vem me iluminar. Clareia meu pensamento, Oh minha mãe Obá. Ela é nossa verdade, vem me sustentar com sua sabedoria. Oh minha mãe Obá. Irradia o tempo todo, sabe ensinar. Dona do conhecimento oh minha mãe Obá. 2x ........2x

Olha aquele passarinho, contruiu seu ninho lá no reino de Obá. Com sua mãe, com muito carinho. Concentrando a terra contriu seu lar. Hoje ele é mestre do conhecimento, com sabedoria pode me ensinar. Pra que eu também construa o meu ninho nas terras sagradas de mamãe Obá 2x..........2x

OBÁ — Orixá Guerreira e Das Águas Revoltas !!!

Lendas de OBÁ:

Com OGUM:

Obá travou luta com Ogum, e ele sabendo da grande força da amazona belicosa, resolveu consultar Ifá (jogo de adivinhação), onde foi aconselhado a fazer uma mistura de espiga de milho e quiabo, jogando esta pasta no lugar marcado para a luta.

Chega o momento do combate e começam a brigar, Obá resiste até o ultimo momento, e não podendo mais se segurar, cai ao chão. Ogum para não se redimir e também não ser dado por vencido, mantém relações sexuais com ela ali mesmo, tornando-se assim seu cônjuge.


Com XANGÔ:

Obá vivia em companhia de Oxum e Iansã, no reino de Oyó, como uma das esposas de Xangô, dividindo a preferência do reverenciado Rei entre as duas Iabás (Orixás femininos). Obá percebia o grande apreço que Xangô tinha por Oxum, que mimosa e dengosa, atendia sempre a todas as preferencias do Rei, sempre servindo e agradando aos seus pedidos. Obá resolveu então, perguntar para Oxum qual era o grande segredo que ela tinha, para que levasse a preferencia do amor de Xangô, vez que Iansã, andava sempre com o Rei em batalhas e conquistas de reinados e terras, pelo seu gênio guerreiro e corajoso e Obá era sempre desprezada e deixada por último na lista das esposas de Xangô.

Oxum então, matreira e esperta, falou que seu segredo era em como preparar o amalá de Xangô principal comida do Rei, que lhe servia sempre que deseja-se bons momentos ao lado do patrono da justiça. Obá, como uma menina ingênua, escutou e registrou todos os ingredientes que Oxum falava, sendo que por fim Oxum, falou que além de tudo isso, tinha cortado e colocado uma de suas orelhas na mistura do amalá para enfeitiçar Xangô. Obá agradeceu a sinceridade de Oxum e saiu para fazer um amalá em louvor ao Rei, enquanto Oxum, ria da ingenuidade de Obá que, sempre atenta a tudo, não percebeu que Oxum mentira, pois ela encontrava-se com suas duas orelhas, e falará isso somente para debochar de Obá.

Obá em grande sinal de amor pelo seu Rei, preparou um grande amalá, e por fim cortou uma de suas orelhas colocando na mistura e oferecendo à Xangô como gesto de seu sublime amor. Xangô ao receber a comida, percebeu a orelha de Obá na mistura, e esbravejou e gritou. Oxum e Obá, apavoradas, fugiram e se transformaram nos rios que levam os seus nomes. No local de confluência dos dois cursos de água, as ondas tornam-se muito agitadas em conseqüência da disputa entre as duas divindades. E, até hoje quando manifestadas em seus iaôs elas dançam simbolizando uma luta.

OBÁ

Orixá do rio Níger. Orixá, embora feminina, temida, forte, energética, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta, Oxalá, Xangô e Orumilá. Obá é irmã de Iansã, foi esposa de Ogum e, posteriormente, terceira e mais velha mulher de Xangô.

Bastante conhecida pelo fato de ter seguido um conselho de Oxum e decepado a própria orelha para preparar um ensopado para o marido na esperança de que isto iria fazê-lo mais apaixonado por ela. Quando manifestada, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são uma espada e um escudo.

Tudo relacionado a Obá é envolto em um clima de mistérios, e poucos são os que entendem seus atos aqui no Brasil. Certas pessoas a cultuam como se fosse um Xangô fêmea. Obá e Ewá são semelhantes, são primas. Obá usa a festa da fogueira de Xangô para poder levar suas brasas para seu reino, desta forma é considerada uma das esposas de Xangô mais fieis a ele.

Obá é Orixá ligado a água, guerreira e pouco feminina. Suas roupas são vermelhas e brancas, leva um escudo, uma espada, uma coroa de cobre. Usa um pano na cabeça para esconder a orelha cortada. Conta e lenda que Obá, repudiada por Xangô, vivia sempre rondando o palácio para voltar.

Orixá do ciúme, do amor, das paixões com todos os dissabores e sofrimentos que estes sentimentos podem gerar.

Toda energia de suas frustrações, Obá descarrega no trabalho. Sempre guerreira, nunca perdeu uma batalha.

Forte temperamento, terrivelmente ciumenta e carente. É mulher de um homem só; fiel e sofrida. É combativa, impetuosa, e vingativa.

Orixá das águas revoltas. A dança de Obá é também guerreira: ela brande um sabre com uma das mãos e leva um escudo na outra.

Obá é o limite. É o grito de "já não suporto mais."

OBÁ MI, OBÁ SI, OBÁ SIRÊ !


Perfil dos filhos de OBÁ:


Cuidadosos e guerreiros. Superam todas as dificuldades da vida como se isso fizesse parte da rotina. Super equilibrados os filhos desse Orixá.

Possui grande senso de justiça. Sábios, astutos, elegantes. De extrema responsabilidade, pois são grandes administradores. Excelentes conselheiros; amigos sinceros e leais.